No começo do século XX, a literatura infantil tinha por finalidade educar e moldar a criança de acordo com as expectativas dos adultos. Os livros não tinham o objetivo de tornar a leitura prazerosa, onde a aventura e o lúdico fossem levados em consideração.
Já nos anos 70, a literatura infantil sofreu uma grande revalorização e se enveredou pelos caminhos da atividade humana, valorizando a aventura, a família, a escola e muito mais do nosso cotidiano.
Da literatura aos desenhos animados
A narrativa faz parte da vida de toda criança desde a barriga da mamãe, dos acalantos às canções de ninar. A partir daí, o interesse pelas histórias são demonstrados através das palmas e do sorriso de todo bebê. Uma história bem contada é essencial para que uma criança dimensione sua própria realidade. E quando isso passa a ser observado, além de contado, amplia-se sua dimensão e a imaginação ganha mais vida, mais forma, mais cor. O contato da criança com os desenhos animados é algo delicado e deve ser muito bem direcionado e nesse momento pais e professores são fundamentais para ajudar nestas descobertas, afinal, a faixa etária de cada criança deve ser sempre levada muito a sério, pois o desenvolvimento psicológico de cada criança é determinado por estágios específicos, que se dão a partir do amadurecimento psíquico, de suas relações afetivas e sua intelectualidade.
Na primeira infância (a partir de 1 ano), toda criança começa a descobrir o mundo a seu redor e necessita tocar e pegar tudo que encontra a sua volta. O incentivo a essa percepção deve ser dado por intermédio de brinquedos multicoloridos e barulhentos para despertar sua curiosidade.
A criança está mais adaptada ao mundo físico na segunda infância (a partir de 3 anos), o que aumenta sua capacidade de comunicação. Ela se torna egocêntrica e, nesta fase, a imagem vale mais que mil palavras. Propostas de programas educativos, de cunho familiar, são essenciais para que eles estabeleçam uma conexão entre realidade e fantasia de forma humorada e geradora de expectativa.
Na terceira infância (a partir de 6 anos), as crianças começam a compreender os símbolos e é fundamental a presença de um agente estimulador, que as ajude neste processo. Histórias engraçadas, contextualizadas pela dualidade, bem/mal, grande/pequeno, estimulam a inteligência, a afetividade e a imaginação delas.
A partir dos oito anos, o pensar esta mais desenvolvido e desperta nas crianças o desejo pelo conhecimento da natureza e pelos desafios. Sátiras bem humoradas, situações inesperadas, a temática de conflitos culminando na solução de problemas na história, com uma comunicação direta e objetiva, exercem forte atração a crianças desta idade. Após os dez anos, o poder de concentração se amplia e a capacidade de compreender o mundo aumenta. A famosa pré-adolescência dá ao jovem a capacidade de se ver inteligente, capaz de resolver seus problemas, através de seu poder de reflexão e dedução. A luta por um ideal ganha força em sua personalidade e a preferência por heróis e vilões, com histórias que apresentam valores étnicos e políticos apresentam seu verdadeiro propósito, a busca por seu próprio espaço.
Portanto, os personagens vivos têm mais valor do que as pessoas um dia imaginaram e sua participação nas festas e eventos infantis é de suma importância para o desenvolvimento da personalidade de nossos filhos. E, porque não afirmar que para nós também, afinal, reforçar a mensagem dos valores que aprendemos na infância, talvez nos ajude a lembrar do que realmente é importante.
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